sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Você sabe o que está comendo?

Quando você compra um alimento no supermercado, você lê o rótulo? Os rótulos são elementos essenciais de comunicação entre produtos e consumidores. Eles trazem as informações mais relevantes e necessárias para a compra e consumo conscientes. Mas será que essas informações são procuradas? E, se sim, elas estão claras e disponíveis?

Dados recentes levantados junto à população que consulta o serviço Disque-Saúde do Ministério da Saúde demonstram que aproximadamente 70% das pessoas consultam os rótulos dos alimentos no momento da compra. No entanto, mais da metade não compreende adequadamente o significado das informações.

E não são dúvidas exclusivas dos brasileiros. Um estudo publicado em 2005 pela European Food Information Council (EUFIC Fórum) e que reflete a atitude dos consumidores frente à rotulagem e informação nutricional revela que os consumidores têm muitas dúvidas e querem ser mais bem esclarecidos.

Os consumidores precisam de informação fácil de interpretar, os dados devem ser hierarquizados de forma a perceber o que é importante. A rotulagem precisa ser mais atrativa, mais clara e mais bem-estruturada. Em suma, no estudo da EUFIC Fórum os consumidores declaram que querem que as escolhas saudáveis façam parte das suas vidas diárias.

Paola Albuquerque, 19, estudante de Psicologia, disse que procura nos rótulos o que considera mais importante para a saúde - percentual de gordura e colesterol. Também chama atenção para o fato de no Brasil não ser obrigatória a indicação de alimentos transgênicos nos rótulos. “Comer alimentos transgênicos deveria ser uma escolha”.

Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), órgão responsável pela regulação da rotulagem de alimentos, todo rótulo deve conter: lista de ingredientes (mencionados segundo a ordem decrescente do peso que tem no produto), origem (quem é o fabricante e onde foi fabricado), prazo de validade, conteúdo líquido, informação nutricional e lote do produto. Também é obrigatória a apresentação de uma medida caseira nas porções (como xícara de chá, colher de sopa, fatia).

“A leitura da tabela nutricional é importante porque a partir das informações nutricionais é possível fazer escolhas mais saudáveis e comparar os produtos antes da aquisição”, aconselha a nutricionista Ana Flávia Pinheiro, do Portal do Coração.

Para proteger o consumidor de possíveis equívocos, também há uma lista de coisas que não podem estar nos rótulos. É proibido destacar a presença ou ausência de alguns componentes que, ou são próprios da fabricação, ou nunca fazem parte dela, como “maionese preparada com ovos”, já que toda maionese tem ovos em sua composição, ou “óleo sem colesterol”, já que nenhum óleo vegetal apresenta em colesterol em sua composição.

Equivaler o consumo de alimentos diferentes também não é permitido, como chocolates que demonstram mediante ilustração que o consumo de determinada quantidade equivale ao consumo de um copo de leite. Mesmo que o consumo de determinada quantidade de chocolate possa equivaler em determinado nutriente (como o cálcio) ao consumo de leite, os dois alimentos não são comparáveis. Essa comparação pode levar o consumidor ao erro.

Giovana Queirós, 36, assistente administrativa, disse que vê a quantidade de calorias e onde o produto é fabricado. Tem preferência por produtos fabricados mais perto de onde compra, uma indicação de que estão mais frescos para o consumo.





*Texto produzido para a disciplina Oficina de Reportagem.